Vocês lembram das aparições de discos voadores em Itatira? O assunto está dividindo opiniões na regiçao. Em 2009 dezenas de moradores de Lagoa do Mato e de localidades no interior do município alegaram ver Objetos Voadores Não Identificados (Ovnis).
Os objetos seriam luzes fortes no céu que se movimentam em alta velocidade e de forma silenciosa, algumas delas de cores diferentes. As luzes causaram perseguições, provocam queimaduras e teriam feito até o cancelamento de jogos de futebol.
As aparições teriam começado no fim de novembro de 2009 e se estendido até março de 2010. A primeira pessoa que viu o suposto disco voador foi uma estudante. Francisca Marisa Pereira da Silva, na época com 17 anos, e seu primo Francisco Jobi Pereira Bastos, 17, e uma criança de 8 anos, moradores da comunidade de Bandeira. Eles afirmaram que no dia 21 de novembro naquele ano foram perseguidos pela luz.
Eles dizem que chegaram em casa em visível estado de pânico após uma perseguição quando voltavam de moto da escola feita por uma luz circular, branca, que se movimentava atrás deles, ao seu lado e à sua frente. Jobi acrescenta que ao chegar em casa avistaram outra luz que parecia estar pairando sobre uma serra próxima.
"Foi quando largamos a moto e nos escondemos dentro de casa", disse o rapaz. "Nós chegamos em casa em pânico, gritando e pedindo a mãe que abrisse a porta. Eu me lembro que nós apenas rezávamos para escapar daquela luz", lembra Marisa.
"Eu coloquei toda a velocidade na moto e a luz continuava nos perseguindo. Ela voava sobre nós de um lado e do outro. Era semelhante a luz de um poste só que muito maior", diz Jobi.
A jovem Marisa da Silva passou a ter pesadelos com naves estranhas no céu, tem medo de sair e acostumou-se a sentar na varanda vigiando novas aparições.
Outro morador conta que também foi perseguido pela luz. Francisco Pires Mota, na época com 24 anos, morador de Lagoa de Dentro, teve quase que totalmente a moto quebrada depois de cair numa ribanceira fugindo da mesma luz.
Sua perseguição durou 15km, da localidade de Cachoeira, próximo a BR-020, até onde mora, na localidade de Lagoa de Dentro. Sua queda aconteceu em Timbauba, um pequeno vilarejo nas imediações. "Eu cai da moto ao tenta fugir dessa luz", diz Francisco.
Outro morador também afirma que viu a luz é agricultor Manoel Alves Barbosa, 58, já ouviu histórias de discos voadores por 30 anos, mas nunca com o grau que viu no município.
Os estudantes, agricultores e autoridades da zona rural argumentaram que o surgimento de supostas esferas no céu, luzes brilhantes e naves espaciais em alta velocidade deveria ser levado mais em conta como questão de segurança.
A Polícia Militar de Itatira informou que não possui meios e tecnologias para investigar os casos, nem que é recomendável que viaturas da polícia dêem perseguição ao que consideram como discos voadores. O subtenente Ferreira, de Lagoa do Mato, afirmou que a extensão dos relatos era "fora do comum".
Uma adolescente de 18 anos chegou a tirar uma fotografia de uma das luzes. Amanda Silva Gomes, moradora da comunidade de Cachoeira, voltava da casa de uma colega com a máquina fotografa em mãos quando notou o Ovni.
A fotografia foi encaminhada para análise por especialistas do Centro de Ufologia Brasileiro (CUB), com sede em Belo Horizonte.
"Não é uma estrela, não é um astro, é quase impossível de ser a lua, é provável ser mesmo um objeto não identificado", diz Milton Frank Junior, presidente do CUB. "A foto é autêntica e não contém nenhum tipo de fraude ou montagem", acrescentou Frank.
"Se as provas técnicas levarem a confirmação de um surto, como na Operação Prato, que documentou perseguições, queimaduras e desmaios provocados por luzes e objetos desconhecidos no céu, o caso deve ser tratado como questão de segurança nacional e o prefeito deve informar a aeronáutica", conclui Milton Frank.
"Os relatos do municipio são muitos sérios e têm que serem investigados por uma equipe gabaritada. O caso Operação Prato ocorrido na Ilha de Colares, no Pará, em 1977 é um exemplo. Se há suspeita que há um surto a primeira coisa a ser feita é instalar um radar para se comprovar o fato", diz Frank.
"O caso Operação Prato ocorrido na Ilha de Colares, no Pará, em 1977 é um exemplo. Se há suspeita que há um surto a primeira coisa a ser feita é instalar um radar para se comprovar o fato", diz Frank Júnior.
Mais os Ovnis existem? Milton Frank diz que sim. "Provamos que eles existem. Isto ocorreu nos casos onde os Ovnis foram radarizados, que são os casos da invasão de Washington DC em 1952 onde a base militar de Andrews registrou no radar vários objetos voadores não identificados, o mesmo aconteceu em São José dos Campos em 1986 ou em Bruxelas em 1989-91", afirma Frank.
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) afirmou que as aparições de Objetos Voadores Não Identificados (Ovnis) no município não têm nada haver com Ovnis e tampouco teriam conexões com fatores extraterrestres ou paranormais.
A informação foi passada pelo delegado Francisco José Ferreira Braúna, da Delegacia de Policia Civil de Canindé, em entrevista ao Jornal do Meio-Dia, da TV Verdes Mares, afiliada a Rede Globo em Fortaleza.
De acordo com Francisco José Ferreira Braúna a Abin havia entrado em contato com ele para dizer que os fenômenos não tinham nada haver com Ovnis e tampouco teriam conexões com fatores extraterrestres ou paranormais.
"A Abin chegou a intervir e pediu-me que investigasse o caso com a devida atenção. O inspetor Dalton Júnior foi então enviado ao municipio para apurar os fatos", diz o delegado Francisco José Ferreira Braúna.
A pesquisadora e articulista do portal UfoVia, Rafaela de Oliveira, duvida das afirmações da Abin.
"Uma das coisas que mais chamou a atenção foi o repentino interesse da Abin nesse caso. Pode até parecer paranóia, mas por que a Agência Brasileira de Inteligência estaria interessada em fenômenos que andam acontecendo em uma pequena cidade do sertão do Ceará? A Explicação não é simples e talvez seja mais complicada do que se imagina", diz a pesquisadora Rafaela de Oliveira.
"Mas, afinal por que a agência de inteligência tem tanta certeza de que não se trata de um fenômeno inexplicável?", diz Rafaela de Oliveira em artigo publicado no portal UfoVia.
"Outra coisa que devemos levar em consideração se formos admitir a possibilidade de uma operação de espionagem na região seria o motivo de a ABIN ter tido uma preocupação clara em afirmar que as aparições não tinham ligações com OVNIs ou seres extraterrestres", diz a pesquisadora Rafaela de Oliveira.
"Seria muito mais cômodo para a Abin, que as pessoas acreditassem que o tal aparelho fosse um UFO de origem extraterrestre, pois desviaria a atenção do público para o verdadeiro motivo do mesmo. Sabemos que a CIA usou desculpas de discos voadores para encobrir alguns vôos do avião U2 durante a Guerra Fria e, logicamente, a atitude da ABIN neste caso, não parece nem um pouco racional ou estratégica em se tratando de um suposto caso de espionagem", diz a pesquisadora Rafaela de Oliveira.
"Uma cidade tão pequena que por muitas vezes nem aparece nos mapas oficiais, passa despercebida pelos menos atentos, no entanto, pelos recentes acontecimentos, ganhou a atenção da mídia, de toda a classe Ufológica brasileira e até de órgãos oficiais do governo brasileiro", diz a pesquisadora. .
"Os recentes e notórios fenômenos que estão ocorrendo na cidade se mostram como os mais interessantes destes últimos anos", diz a pesquisadora Rafaela de Oliveira.
"O município mais do que um caso ufológico curioso, se tornou uma porta para reflexão de como tantas coisas, podem estar ao mesmo tempo interligadas e como esses mistérios podem nos desafiar de forma tão brusca, violenta que, literalmente, nos deixa de mãos atadas", diz a pesquisadora Rafaela de Oliveira.
"Nós mesmos, incapazes de entender o que está acontecendo procuramos explicações e desculpas quaisquer para nos reconfortamos com a falsa idéia de que o “incompreensível” foi superado e estamos no total controle de nossas vidas e de nosso mundo – e daqueles que estão acima de nossas cabeças, ainda que os desconheçamos por completo", diz a pesquisadora Rafaela de Oliveira.
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